Um homem com discurso afinado

Com Alberto Torres, O FLU ganha impulso e projeção

 O dia 15 de fevereiro de 1954 pode ser considerado o divisor de águas na história de O FLUMINENSE. Aos 41 anos, o advogado e jornalista Alberto Francisco Torres adquiria de Luís Azeredo da Silva a quarta publicação mais antiga do país – que até aquele momento já tinha 75 anos de circulação. A partir daí, o jornal entrou em trajetória de modernização e assumiu um papel fundamental na história política do estado.

 

Empresário trouxe modernização

e importância política ao jornal

 

Alberto Torres nasceu em Niterói, em 9 de setembro de 1912. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil – hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -, atuou como advogado, entre outras comarcas, nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Rio Bonito, e foi presidente da OAB. Em sua trajetória política, foi eleito seis vezes – pelo voto direto – como deputado estadual e deputado federal. Foi ainda secretá-

rio estadual de Educação. Casou-se com Dolores Brochado Torres, com quem teve uma filha, Nina Rita Torres, que lhe deu dois netos, e hoje é a presidente do Grupo Fluminense.

 

Sempre ativo em atividades de interesse público, também foi conselheiro e presidente seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e membro do Instituto dos Advogados do Brasil. Na carreira acadêmica, lecionou, como titular, Direito Constitucional, na Universidade Católica de Petrópolis. Foi presidente da Academia Fluminense de Letras e membro do Conselho Universitário da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Várias instituições receberam seu nome, entre elas a Escola Municipal Alberto Torres, em Niterói, o Centro de Oportunidades Jornalista Alberto Francisco Torres, que funciona no Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói, e o Hospital Geral

Alberto Torres, no Colubandê, em São Gonçalo, além de outros colégios no Estado. Depois da morte do jornalista, a principal via de Icaraí, a que margeia a orla, passou a se chamar Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres.

 

Modernização

 

Quando O FLUMINENSE foi comprado por Alberto Torres, a sede funcionava na Rua São Pedro, no Centro de Niterói. O primeiro editorial do novo proprietário como jornalista responsável pelo jornal marcaria a linha de conduta que o jornal assumiria dali em diante.

 

“Procuraremos manter a austeridade deste matutino, inalterável desde a sua fundação, sem que, todavia, nos abstenhamos de empenhar, sem transigências nem capitulação, as campanhas em defesa dos interesses do povo, possuídos de mais nobre das paixões, a de sustentação das aspirações coletivas, com a preocupação diuturna de guardar as mais puras e caras tradições de nossa cidade e de nosso estado, animados de que continuaremos a merecer a confiança do leitor, dos anunciantes, enfim, de todos os que nos distinguem com sua preferência”, escreveu.

 

Na direção do jornal, Alberto Torres imprimiu grandes mudanças. Investiu no crescimento da empresa e comprou canais de rádio, dando origem ao Grupo Fluminense. Com o olhar voltado para o futuro, pouco tempo depois da aquisição da empresa, reaparelhou o parque gráfi co do jornal, em 1957. A primeira rotativa foi adquirida em 1961 e a tituleira chegaria cinco anos depois. Outro fato que marcou a gestão do empresário foi a construção, em 1971, da nova sede do jornal, na Rua Visconde de Itaboraí, no Centro de Niterói. O local sedia, atualmente, todos os braços de comunicação do grupo.

Política

 

Além da carreira de advogado e jornalista, a arena política era outra grande paixão de Alberto Torres. Obteve, ao longo de quatro décadas, seis mandatos como deputado estadual e federal, pela União Democrática Nacional (UDN) e pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Honradez e combatividade marcaram sua trajetória: homem de compromissos sólidos, votava abertamente na Câmara e na Assembleia Legislativa (Alerj).

 

Como deputado, participou da elaboração da Constituição Federal de 1947 e da estadual de 1975. Orgulhava-se de ter sido um dos responsáveis pela primeira grande coalizão partidária do Brasil, a que permitiu ao líder trabalhista Roberto Silveira chegar ao governo do estado com apoio de 13 legendas, no início dos anos 1960. Como secretário estadual de Educação, trabalhou pela valorização do magistério e foi um dos responsáveis pela criação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

Alberto Torres investiu

no crescimento da empresa

e criou o Grupo Fluminense

 

A franqueza e a intransigência na defesa dos princípios fi zeram com que conquistasse o respeito e a admiração de todas as principais lideranças do país, que frequentemente vinham visitá-lo em seu escritório, na sede do jornal.

 

Alberto Torres faleceu aos 86 anos, em 25 de novembro de 1998. Pouco antes havia confiado à filha Nina Rita Torres a presidência do Grupo Fluminense.

Em sua segunda disputa à presidência, Lula visitou Alberto Torres

Também candidato, Fernando Henrique esteve em O FLUMINENSE

O jornal recebeu a visita de Fernando Collor de Mello, em 1989

Leonel Brizola entre Alberto Torres e seu neto Alexandre Torres